Fundamentação Fisiológica (parte 2)

Conceitos Base

Anatomia do Músculo

anatomia muscular

O músculo é a parte activa da estrutura. É portanto a parte onde o treino pode ter um efeito mais directo. O músculo é rodeado pelo tecido conjuntivo. É depois constituído por fibras musculares que por sua vez são constituídas pelas miofibrilas. Estas, são constituídas pelos filamentos de actina e miosina. A unidade contráctil do músculo é o sarcómero.
Cada sarcómero é limitado pela Linhas/Bandas Z. O sarcómero compreende ainda os filamentos de actina (filamento fino) e miosina (filamento grosso).

sarcomero
Unidade Motora

Ao falarmos de Unidade Motora falamos das estruturas básicas que intervêm na contracção muscular. Pela seguinte figura percebemos que as estruturas que compõem a unidade motora são o neurónio motor e as fibras musculares enervadas por esse mesmo neurónio.

motoneuronio
Mecanismos da Força

Para que um atleta possa realizar uma determinada intensidade de força, esta depende de uma série de factores. São estes de três níveis:
1. factores estruturais – tem em conta o próprio músculo,
2. factores nervosos – dizem respeito ao funcionamento das unidades motoras,
3. factores de estiramento (amplitude) – no que diz respeito à potenciação da contracção.

Factores Estruturais

São três os factores estruturais: (i) a hipertrofia, (ii) as fibras musculares e (iii) os sarcómeros em série.

fatores struturais

Hipertrofia

Podemos encontrar as causas da hipertrofia na seguinte figura.

hipertrofia
Conseguimos então explicar a hipertrofia tendo em conta quatro causas: (i) aumento do número de miofibrilas, (ii) o desenvolvimento do envelope muscular (tecido conjuntivo), (iii) aumento da vascularização e (iv) aumento do número de fibras (ainda muito discutido na comunidade científica).

As causas que permitem estas adaptações advêm do fenómeno da Supercompensação, fenómeno este, explicado pela Lei da Autoregeneração da Matéria Viva.

Consequências práticas

Através da seguinte figura conseguimos perceber que existem três zonas de influência nos factores da Força tendo em conta a Repetição Máxima (RM).
hipertrofia 2
Na primeira zona percebemos que entre as 1-3 repetições (reps), o melhoramento da força dá-se essencialmente por factores nervosos. A zona 2 demonstra que entre as 3-12 reps trabalhamos os factores de Força associados ao aumento da Massa Muscular (percebemos que o ideal está nas 10 reps). A última zona evidencia que a partir das 15 reps já não se proporciona melhorias na Força mas sim nos factores energéticos, a partir das quais têm grande preponderância.

Fibras Musculares

Existem dois tipos de fibras, tipo I e tipo II. Por sua vez, as fibras tipo II dividem-se em tipo IIa e tipo IIx. As fibras tipo I são também conhecidas como fibras lentas e as fibras tipo II como fibras rápidas.

fibras

Através da figura anterior, percebemos que: as fibras tipo I têm pouca influência na Força mas bastante resistência à fadiga. As tipo IIa são fibras “mistas” pois têm influência na produção de Força e apresentam resistência à fadiga, são portanto mistas ao metabolismo aeróbio e anaeróbio. As tipo IIx são fibras unicamente de metabolismo anaeróbio, pelo que têm grande influência na produção de Força mas nenhuma resistência.
Transformação das fibras musculares

tranformação fibras
Conseguimos perceber, olhando para o centro da figura anterior, que parece ser possível existir alguma transformação nas fibras, i.e., fibras tipo II transformarem-se em tipo I e vice-versa. Percebemos ainda que para transformarmos fibras lentas em fibras rápidas devemos usar estímulos que impliquem estimulações rápidas (Força e Velocidade). Pelo contrário, se quisermos transformar fibras rápidas em lentas os estímulos terão de ser de ordem lenta. Importante referir nesta altura que a transformação de fibras rápidas para lentas se faz de uma forma mais “natural” do que o oposto. Para além disso, o processo de transformação de fibras não é imediato nem sequer curto. É um processo demorado que depende de anos de estímulos específico para essas transformações.

Arquitectura das fibras

A distinção do tipo de fibras em tipo I e tipo II, não é suficiente para explicar todas as transformações que acontecem nas fibras devidas ao treino desportivo. Estudos recentes usando técnicas avançadas (ultrasons) que permitem ver in vivo a acção das fibras musculares enquanto trabalham, permitiram verificar que quanto maior é a fibra, maior é a tendência de estas terem os seus sarcómeros dispostos em série. Este facto favorece grandemente a Velocidade. Por outro lado, quanto menor é o ângulo de inserção das fibras, maior será a Força exercida. Estes estudos permitiram demonstrar que estas características são individuais ao atleta e que os sprinters têm fibras arquitectonicamente diferentes que os maratonistas (os sprinters têm fibras mais longas e um ângulo de inserção inferior). Inclusivamente, Estas diferenças foram notadas ainda dentro do grupo de sprinters (os que corriam 100m em 10” têm fibras mais longas e com menor ângulo de inserção que os sprinters que correm 100m em 11”).

arquitetura

Naturalmente que estes fenómenos têm uma influência genética mas também a possibilidade de evolução graças ao treino.
Consequências práticas

Na esperança de produzir transformação das fibras, devemos trabalhar com cargas elevadas. Devido à arquitectura das fibras, devemos também trabalhar usando exercícios excêntricos para aumentar o comprimento das fibras. Como outra possibilidade temos ainda o trabalho explosivo.
Aumento dos sarcómeros em série

Existem duas formas de desenvolver este aspecto. Um será trabalhar em amplitude. Sabe-se que um músculo, desde que em alongamento, mesmo imobilizado aumenta o número de sarcómeros em série. Por outro lado, temos o trabalho excêntrico que é também bastante eficaz para este objectivo.

sarcomeros em serie

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