Mitos sobre a Periodização Tática

Periodização táctica: verdades, contradições e a grande mistificação.

Verdades

Queremos começar este post, fazendo uma declaração de interesses. Nada nos move contra esta forma de abordagem ao ensino e treino dos desportos colectivos em geral e ao futebol em particular, nem contra o seu criador (Prof. Vitor Frade). Declaramos até, que somos defensores da aplicação desta metodologia, como a forma mais avançada de treinar os aspectos cognitivos dos desportos colectivos, promovendo a autonomia dos jogadores, a capacidade das tomadas de decisão e a noção de jogar em conjunto, assim como, o desenvolvimento daquilo a que chamamos ”técnica funcional“ ou “técnica útil”. Do outro lado da Península Ibérica, quase em simultâneo, Paco Seiru-Lo (professor no INEF –Catalunha) levava à pratica o seu Modelo Cognitivista, também conhecido por Modelo Integrado de Treino no FC Barcelona. Estes modelos são mais parecidos do que gémeos idênticos, provocando à época um enorme espanto na comunidade internacional que se dedica ao treino. Frases como, ”as cargas são para os burros”, “a preparação física não existe” e títulos de jornais como “fortes sem ir ao ginásio” foram proferidas pelos seus criadores e respetivos seguidores, fazendo crer às pessoas que o treino nos desportos coletivos (futebol, no caso vertente) se resumia à pratica organizada e bem sistematizada dos princípios, subprincípios e sub-subprincípios de um modelo de jogo, valorizando os aspectos técnico-tácticos e emocionais, subvertendo e desvalorizando a lógica fisiológica que emana de qualquer atividade competitiva que exige confronto físico, dispêndio energético e níveis altos de todas as capacidades condicionais e coordenativas. Nomes como José Mourinho e Pep Guardiola tornaram-se rapidamente os expoentes máximos desta metodologia, alicerçados por uma grande quantidade de êxitos desportivos.

É nossa opinião, que de facto em confronto com as metodologias dominantes à época, que se baseavam em modelos fragmentados de treino, em que a noção de “específico” não existia e em que o táctico se resumia às configurações mais ou menos geométricas dos chamados sistemas de jogo (4x3x3,4x4x2, etc.), não privilegiando as dinâmicas internas do modelo, estas novas metodologias rapidamente se tornaram vencedoras. Se juntarmos a tudo isto, uma preparação física baseada no desenvolvimento de uma resistência geral que de especifico ao futebol nada tinha, apostando na quantidade em detrimento da qualidade, o cenário de fracasso da velha escola foi por demais evidente.

Contradições e a grande mistificação

Felizmente, no treino desportivo as “verdades dogmáticas” duram pouco, pois como atividade centrada no Homem, este está em constante evolução. E é aqui, que para nós se nos deparou um autêntico mistério. Com o acompanhamento exaustivo que os media fazem das equipas e treinadores mais famosos, fácil foi constatar algumas contradições entre aquilo que apregoavam os defensores deste modelo de treino e o que a realidade nos mostrava.
Peguemos num de muitos exemplos que poderemos oferecer aos nossos leitores.

marca_mourinho
José Mourinho numa entrevista ao jornal Marca afirmava “ fortes sem ir ao ginásio”!!! O QUÊ?!!! ESTAREMOS A LER BEM? ENTÃO O “NOSSO” CRISTIANO COM AQUELE “CABEDAL” TODO NÃO FAZ TREINO DE FORÇA? SERÁ QUE A DUPLA MOURINHO /RUI FARIA PARA ALÉM DE DOIS EXCELENTES TREINADORES TAMBÉM SERÃO MÁGICOS? OU ENTÃO O QUE ESTUDAMOS E PRATICAMOS AO LONGO DE MAIS DE VINTE ANOS NADA VALE PARA O TREINO DA FORÇA COMPARADO COM A REPETIÇÃO EXAUSTIVA DOS GESTOS TÉCNICOS E AÇÕES TÁCTICAS DO FUTEBOL? SERÁ QUE O CRISTIANO FICOU ASSIM A FAZER HORAS EXTRAORDINÁRIAS DE LANÇAMENTOS DA LINHA LATERAL? OU TERÁ SIDO LIVRES DIRETOS? E SE ASSIM NÃO FOI, O CRISTIANO TREINARÁ À REVELIA DA SUA EQUIPA TÉCNICA, UTILIZANDO ALGUM PERSONAL TRAINER NO ACONCHEGO DA SUA MANSÃO? OU ENTÃO MOURINHO SABIA, MAS COMO DIZ O POVO ”LONGE DA VISTA, LONGE DO CORAÇÃO”? NÃAAOOO! Ó QUE PESADELO ,ISTO NÃO PODE ESTAR A ACONTECER, AFINAL ESTAMOS A FALAR DO NOSSO SUPER-ZÉ!
Em que ficamos, treinamos ou não treinamos força de forma dissociada, aumentando, como é lógico, os níveis da condição física dos atletas por si treinados Senhor José Mourinho?

Se treinamos, porque persistir nessa mentira querendo fazer-nos a todos passar por “TÓTOS”?

marca_paco
Outro caso parecido é o de Paco Seiru-lo. Alguns anos atrás, também numa entrevista ao jornal Marca afirmava peremptoriamente, “A PREPARAÇÃO FISICA NÃO EXISTE”, anunciando de forma profética a ruptura com o passado e os ”novos amanhãs “ do treino desportivo!
Albert Roca, preparador físico do Barcelona durante alguns anos, e braço direito de Paco Seiru-lo no magnifico livro “El processo de entrenamiento en el futebol”,na página 30, afirma:
“A FORÇA COMPETITIVA, COMO MANIFESTAÇÃO DA FORÇA EXPRESSA NA COMPETIÇÃO, NÃO SE PODE MANTER AO LONGO DE TODO O PERÍODO COMPETITIVO ÚNICAMENTE COM OS EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS, PELO QUAL É NECESSÁRIO TRABALHÁ-LA COM CARGAS BÁSICAS CONDICIONAIS”.
Para bom entendedor meia palavra basta……

Isto hoje já vai longo, prometemos voltar ao tema, pois gostaríamos de especular sobre as razões que motivam toda esta grande encenação.

Será que o velho ditado “EM TERRA DE CEGOS QUEM TEM UM OLHO É REI”, faz aqui todo sentido?

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