Devemos alongar no final do treino?

Após 4 meses de intensa atividade COMP onde andamos pelo país a falar de Preparação Física, chega a hora de voltar às raízes e voltar a escrever para as pessoas/treinadores/atletas que nos acompanham.
Nas interações que tivemos com todos vocês ao longo destes 4 meses, várias foram as questões colocadas. Uma delas diz respeito aos alongamentos estáticos e se os devemos usar, no final do treino e/ou no início do treino, e é sobre esta questão que vos queremos falar hoje.
Numa abordagem diferente ao habitual, hoje deixamos duas possibilidades para vocês. Podem ler este artigo até ao fim ou, se preferirem, podem ver o vídeo que fizemos para vocês sobre o tema. Ambos abordam a mesma questão sendo que a única diferença é o formato, texto ou vídeo. Por baixo do vídeo têm o texto. Podem escolher…
Vamos treinar?
Muito bem, imaginemos um atleta cujos padrões de movimento não apresentam nenhum desvio assinalável, um corpo perfeitamente equilibrado e funcional com níveis de hidratação ótimos. Este atleta está pronto a começar o seu treino na sua modalidade. Neste momento o atleta apresenta o complexo miofascial perfeitamente alinhado o que por sua vez permite corretas expressões de movimento. Depois de estimulado pelo processo de treino, este complexo que antes estava perfeitamente alinhado e equilibrado, apresenta agora, na sua estrutura, fortes alterações quer ao nível do seu alinhamento quer ao nível da sua densidade. as fibras musculares, por exemplo, sofreram pequenos traumatismos que é preciso agora recuperar para que o atleta esteja pronto para na sessão de treino da tarde, ou do dia seguinte, voltar a ter uma performance desportiva de excelência e que lhe permita evitar as tão indesejáveis lesões.
O processo de recuperação para a próxima sessão de treino, começa na fase final da sessão anterior (o processo de treino é um continuum pelo que não é absolutamente verdadeiro o que acabamos de escrever mas para mais fácil compreensão da ideia que pretendemos transmitir ajuda enquadrar temporalmente desta forma).
Por norma, e vemos esta situação em praticamente todos os locais por onde passamos, chegado o final do treino, os atletas começam a sua rotina de alongamentos estáticos por ser implicitamente aceite que desta forma irão promover a recuperação do seu organismo do esforço feito até ali e do que estará para vir. Na verdade não é assim.
Imaginemos uma corda. Esta corda representa o nosso complexo miofascial. No início a corda está perfeitamente alinhada sem qualquer “nó” para atrapalhar na comunicação e relação entre estruturas. Depois do processo de treino, esta corda sofre alterações estruturais como falamos acima. Até aqui tudo natural e com fortes possibilidades de retorno ao estado normal de forma simples. No entanto, se esticarmos a corda, vamos estar a criar “nós” cada vez mais apertados e consequentemente cada vez mais difíceis de desfazer. Este é o cenário que acontece quando fazemos os alongamentos estáticos após o esforço. Para piorar, aquilo que é feito com a intenção de ajudar na recuperação, está na verdade a prejudicar e a promover um cenário de possível lesão nas estruturas responsáveis pelo movimento. Isto é particularmente sensível nas pre-épocas onde por norma as cargas de treino são mais densas e onde os atletas ainda não se apresentam na melhor forma.
E no início?
Muito bem, no final não posso fazer mas no início, posso? Aqui as opiniões de diferentes autores dividem-se. Para nós também aqui não devemos usar esta ferramenta de treino. Reparem, a probabilidade de termos um atleta com déficit de amplitude articular, por falta de flexibilidade, para realizar as ações motoras específicas à sua modalidade são reduzidas. A esmagadora maioria das vezes o atleta tem falta de mobilidade, não de amplitude articular – ok admitimos uma exceção óbvia que são as disciplinas de Ginástica – pelo que para quê usar? Gostamos de treinos inteligentes e por isso não fazemos nada que não contribua para aquilo que queremos trabalhar/melhorar. Por outro lado, os alongamentos estáticos promovem uma vasoconstrição o que irá reduzir a eficácia do aquecimento muscular com a consequente dificuldade no aumento da temperatura muscular – um dos principais papeis e que justifica a importância do aquecimento no inicio do treino. Existem ainda outros efeitos menos positivos dos alongamentos estáticos no aquecimento, nomeadamente a nível neuromuscular mas esta explicação iria fazer-nos desviar do tópico.
Mas será que posso usar os alongamentos estáticos?
Claro que sim. Se tivermos um atleta com evidentes lacunas de amplitude articular por falta de flexibilidade. E aqui até podemos usar no aquecimento, sendo que temos de ter consciência que teremos de compensar os efeitos que descrevemos anteriormente, por exemplo, aumentando o tempo disponível para o aquecimento muscular. Se tivermos um atleta em processo de recuperação de uma lesão em que a sua amplitude foi seriamente prejudicada (cada vez mais nos processos de recuperação são realizados movimentos excêntricos para promover os movimentos nas ROM ideais).
Pode ser?
Em jeito de conclusão e após o que explicamos anteriormente, quer em vídeo quer em texto, seria muito positivo para os vossos atletas que deixassem de usar os alongamentos estáticos no início e final do treino como meio para promover a recuperação. Pode ser? Eles têm um espaço para si no processo de treino mas não nestes momentos.
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